[Fúria: blog sobre games] O fim dos jogos usados pode não ser tão ruim assim

A próxima geração de consoles talvez tenha ferramentas impiedosas contra os jogos usados. Isso é terrível, certo? Talvez não.

Nos últimos meses surgiram rumores dizendo que as novas versões do Xbox (codinome Durango) e do PlayStation (codinome Orbis) usarão uma tecnologia que não permitirá que as pessoas compartilhem ou vendam os jogos que elas compraram. Talvez os games serão obrigatoriamente registrados em apenas uma conta. Ou talvez você tenha que comprar códigos para reativar os jogos que já foram usados.

Não importa qual seja o método, parece que as produtoras estão tentando ao máximo conter o avanço do mercado de jogos usados, que transformou lojas nos EUA em uma pedra no meio do caminho entre as empresas e os consumidores. E por uma boa razão. Quando você compra um jogo usado, o seu dinheiro vai para uma outra fonte que não é criador ou financiador do game. As grandes empresas agora querem toda essa grana de volta.

Mas como essa briga pode nos afetar? À primeira vista, parece terrível. Não poderemos mais revender os nossos jogos? Mas eles não são nossa propriedade? Por que as empresas querem tirar esse nosso direito? Não podemos emprestar e dividir os nossos games como livros e DVDs, do jeito que a gente quiser?

Essas são boas perguntas, mas não acho que seja uma situação tão simples assim. Por um lado, consigo entender o valor que damos aos produtos físicos, que podemos emprestar e vender, mas eu também vejo o lado bom se eliminarmos esses jogos usados. E estas são as razões:

1. O futuro é digital

Não imagino que as mídias físicas vão desaparecer do dia para noite, mas não é tão difícil de imaginar que, dentro de 20 anos, a maioria dos jogos novos serão exclusivamente digitais. Já vemos isso com o PS Vita – todo jogo feito para o portátil ganha também uma cópia digital (que normalmente é mais barata). Tanto o Xbox 360 quanto o PlayStation 3 vendem jogos completos através das respectivas lojas digitais. Além disso, a maioria dos games para PC estão disponíveis na plataforma digital Steam, da Valve.

Jogos digitais são mais baratos para as empresas de games e mais convenientes para os jogadores. Talvez eles não passem a segurança tangível de segurar uma mídia física na mão, mas com certeza eles tomam menos espaço. Assim como as músicas no seu iTunes, ou os filmes no Netflix, o futuro dos games está cada vez mais próximo de existir apenas no digital. Em breve, a ideia de “games usados” talvez seja irrelevante.

2. Um mundo como o Steam

Imagine um mundo em que você pode comprar jogos baratos, em grande quantidade, e em que hits indies são tão acessíveis quanto os grandes blockbusters. Você também não precisa se preocupar em perder os seus jogos – eles vão estar sempre em um só lugar. Você poderá ver o que seus amigos estão jogando e até mandar jogos para eles como presente. É até mais fácil de encontrar e dividir os seus mods.

O Steam é conveniente, fácil de usar e o mais importante: divertido. Seus usuários não precisam se preocupar com jogos usados, porque frequentemente surgem promoções muito acessíveis na loja virtual. Eu receberia mais lojas como o Steam de braços abertos, mesmo que isso signifique o fim dos jogos usados.

3. Preços melhores nas lojas

Atualmente, lojas como a GameStop, no EUA, conseguem pagar US$ 25 ou US$ 30 por um jogo recente, depois eles colocam um selo na caixa para indicar que o jogo é usado e então vendem por US$ 55. Isso é uma grana preta para a revendedora de games, que lucra muito vendendo jogos usados. E normalmente você nem acaba economizando muito fazendo isso. Em apenas algumas semanas depois do lançamento, sites como Amazon começam a ter ofertas especiais e descontos gordos em jogos bons. Às vezes você consegue comprar um jogo novinho por US 40 ou US$ 30.

Sem jogos usados, a GameStop terá que buscar alguma saída. Eles vão ter que nos convencer a sair de casa para comprar jogos que podemos baixar pelo mesmo preço (ou menor) no conforto do lar. Isso pode significar mais promoções e preços reduzidos para nós, consumidores.

4. Jogos mais baratos

Numa entrevista para o Game Industry International na terça-feira (27), o chefe da Silicon Knights, Denis Dyack (conhecido por produzir jogos como Eternal Darkness e Too Human) disse que acredita que games usados deixam os novos mais caros.

“Eu diria que jogos usados na verdade aumentam o preço dos novos”, disse Denis. “Há 20 anos, existia algo chamado ‘cauda’ de um game. Por exemplo, um jogo como o Warcraft poderia vender por 10 anos. Mas como não há jogos usados, você pode vender o jogo por um longo período porque tem um ganho contínuo durante esse tempo. E esse ganho contínuo é essencial.”

Se as publishers puderem ganhar mais dinheiro com os jogos, nada impede que elas diminuam o preço deles. Os jogos poderão ficar cada vez mais caros, mas se eles não tiverem mais que lucrar apenas nos primeiros meses de lançamento no mercado, as produtoras poderão reduzir os preços.

5. Mais inovação

Se a grana dos jogos usados for convertida em dinheiro para as produtoras, nós é que vamos aproveitar os resultados. Enquanto elas não tiverem que se preocupar com dinheiro, terão mais liberdade para desenvolver novos conceitos de games independentes de estúdios pequenos. Elas não vai mais precisar colocar todos os investimentos naquele FPS anual que paga o salário de todos para o resto do ano. Elas poderão, então, investir em ideias mais arriscadas.

Não importa a sua opinião sobre a forma como as publishers tratam os jogadores e os desenvolvedores – sem dúvida, algumas das grandonas já cometeram erros terríveis em ambos os casos –, elas ainda lançam jogos de que gostamos muito. Não queremos que elas sumam do mapa. E se jogos usados realmente forem ruins para a indústria, como os desenvolvedores disseram que são, por que não dar uma oportunidade às empresas de games para mostrar o que elas podem fazer se não existirem mais as trocas de games?

Talvez veremos produtos mais interessantes. Talvez mais baratos. Seja lá o que acontecer, talvez não seja tão ruim assim se as produtoras ganharam essa batalha. Pelo menos até que elas encontrem outra sarna para coçar.

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