[Fúria: blog sobre games] Active Enterprises: O caminho para o fracasso

A Active Entrerprises era uma ambiciosa desenvolveroda de videogames, fundada por dois visionários, Vince Perri e Raul Gomila, em meados de 1989.
A história começa assim: Eles discutiam entre si a posibilidade de lucro no ramo de videogames, e ao observar o filho de Vince jogando aqueles cartuchos chineses de 9999 em 1 (o qual na realidade são uns 5 jogos repetidos de jeitos diferentes). Em meio a discursão perceberam que essa idéia dá futuro.

E assim, Vince Perri seguiu em sua busca de trazer ao povo americano a técnica chinesa de colocar uma quantidade absurda de jogos em uma só fita. Mas para isso, ele precisava de dinheiro, afinal ele queria fazer uma coisa dentro da lei, sem usar variações bizarras de Mario. Investidores árabes e europeus (com dinheiro sobrando, imagino) fizeram um empréstimo de 5 milhões a Perri, que, junto com seu “best friend” Raul Gomila fundou a Active Enterprises. A empresa contratou um monte de estagiários pra programar e assim nasceu ACTION-52, o lendário cartucho com 52 jogos (que custava 199 dolares).

Eles esperavam que o trabalho que seus estagiarios tinham feito geraria rios de lucros, já que a proposta inicial era que cada jogo sairia por 4 doletas. Mas dos 52 jogos naquele cartucho nenhum jogo prestava. Um recorde até hoje não superado, e admirado por várias pessoas. Dentre eles estava a jóia CHEETAHMEN, um jogo sobre homens-cheeta lutando contra um cientista maluco (cópia das Tartarugas Ninja?). Cheetahmen era mais elaborado que os outros 51 jogos, mas não deixava de ser horroroso e extremamente bugado. Uma pena, porque grandes planos estavam reservados para a franquia: camisetas, bonecos, quadrinhos, desenhos animados e uma sequência para o jogo! Nada disso saiu do papel, exceto a sequência que foi produzida, mas nunca finalizada.

Já chegando em 94, depois de portarem o mesmo cartucho Action 52 com algumas melhorias para o Mega Drive e anunciarem o jogo Sports 5 que nunca foi lançado, eles apresentaram na Consumer Electronics Show um possível Cheetahmen III (já que era bastante diferente do segundo) e um ambicioso videogame portátil que vinha com ele, o Action Gamemaster, que prometia compatibilidade com os maiores videogames da época (olha o processo…) NES, SNES, Mega Drive e um adaptador para CD-ROM que seria vendido separadamente, como todo mundo viu a merda que ia dar ninguem apostou na idéia deles (se fosse hoje em dia poderia concorrer com o Dingoo né? Rsrs).

Em 1994, a Active Entrerprises abandonou a indústria de videogames, aprenderam a lição de não entrar em um ramo sem o devido conhecimento da mesma e partiram para o ramo no setor de tecnologia, mas não durou muito tempo por causa de sua concorência pesada. Ela se situava na Flórida, e seu centro de gerenciamento nas Bahamas. O importante é que eles conseguira pagar os 5 milhões de empréstimo que deviam antes de irem a falência (imagina a encrenca…).

Por surpresa, num galpão enpoeirado em 1996, 1500 cópias do jogo Cheetahmen II foram encontradas em um depósito (vish). Apesar de muito bugado e impossível de termina-lo, o jogo estava lá e era jogável (horroroso, mas jogável). Os anos se passaram e por volta de 2007, O Japão em busca de novas bizarrices, perceberam algo que ninguém nunca tinha reparado antes: A música do jogo é única, um estilo novo, incopiável.

De uma hora pra outra, dezenas e dezenas de remixes e re-arranjos da musica começaram a aparecer no Nico-Nico Douga, Youtube, 4Chan e outros trocentos lugares de compartilhamento. E graças a gloriosa internet um jogo bem mal feito se tornou um símbolo, uma lenda. Sendo tocada até em baladas geeks.

Apesar da musica ser a mesma do primeiro jogo, todos se referem a ela como Cheetahmen II. O compositor é desconhecido, várias músicas da fita Action-52 foram usadas sem licença, mas até onde se sabe o tema de Cheetahmen não é uma delas, e como os jogos não tem crédito nenhum, talvez nunca saberemos o nome deste gênio da musica. E foi assim que um dos piores jogos já feitos, que não chegou nem a ser lançado nos EUA, e quem dirá no resto do mundo, se tornou febre entre os japoneses.

Fonte:

Nerd, Uai!

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2 respostas para [Fúria: blog sobre games] Active Enterprises: O caminho para o fracasso

  1. Gamer Caduco disse:

    Curioso que nunca vi um desses Action-52, embora tenha sempre ouvido falar. Não conhecia a história da empresa por trás dessa “maravilha”.
    É triste quando alguém tem uma idéia ótima mas a execução dela fica uma porcaria. Que é o caso do cartucho cheio de jogos, se pelo menos uns 10 se salvassem, já começaria a valer a pena, né?
    E Cheetahmen é um negócio muito bizarro, pelamor! hahaha

    • Fúria disse:

      Ahh com certeza hehehehe mas o como consumidor eu entendo que a idéia de pôr trocentos jogos repetidos é ruim, é quantidade mas sem qualidade. Mas é como você disse, se 10 se salvassem… aí seria outra história(ou não né).

      Abraços,

      Fúria

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