Pippin, o fracassado console da Apple

Falar sobre a Apple é dispensável. A companhia criadora dos computadores Macintosh e do iPod se tornou uma gigante da informática e hoje figura entre as mais promissoras e inovadoras empresas do mundo, encabeçada por Steve Jobs. Nos jogos eletrônicos, porém, a Apple teve apenas uma e frustrada experiência – o Apple Pippin.

O Pippin entrou no mercado em 1995 no Japão e um ano depois no Ocidente. A criação é da Apple, mas a produção ficou a cargo da Bandai – a mesma fábrica que trouxe os bonecos dos Cavaleiros do Zodíaco para o Brasil, a maior exportadora de brinquedos do Japão – e por essa razão o console também é conhecido como Bandai Pippin ou Apple Bandai Pippin.

Mais que um videogame, o Pippin chegou ao mercado como um computador, nas versões preta (@World) e branca (@Mark). Projetado para oferecer conectividade com a internet – foi o pioneiro, aliás -, o console possuía as mesmas propriedades dos PowerPCs da Apple, usava uma versão mais leve do Mac OS, o sistema operacional dos Macintosh e a mídia usada eram os mesmos CD-ROMs usados nos Macs.

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Estima-se que apenas 42 mil unidades foram vendidas nos EUA e no Japão e acredita-se que entre 12 mil e 5 mil delas chegaram às mãos dos jogadores americanos. Na Europa, a empresa norueguesa Katz Media se ofereceu para produzir e vender o Pippin ao preço de até 550 libras, o que fez a Apple desistir dos planos do mercado europeu. Por isso, achar um dono de um Pippin é extremamente difícil, mas o Baú do Videogame encontrou um norte-americano disposto a falar sobre o infame console.

O gerente de marketing não esconde sua opinião sobre o fracasso do console. “Infelizmente, o Pippin esteve fadado ao fiasco antes mesmo de ser lançado não só pela falta de bons jogos, mas porque a Bandai o direcionou para o grupo errado. Eles queriam fazer algo para os jogadores, mas deveriam ter feito propaganda mais como um computador que como uma plataforma de jogos e incluir compatibilidade com programas da Apple da época”, analisa.

O único Pippin encontrado pelo Baú do Videogame no Brasil pertence ao colecionador e programador de jogos Marcelo Tavares. Aficcionado pelos Macintosh, ele comprou o Pippin em um pacote de outro fissurado por R$ 1,500, mas tem apenas dois discos de software para o sistema e nenhum jogo. “Era quase um computador mesmo, algo revolucionário se pensarmos a época em que foi lançado”, diz Tavares, que conta com aplicativos de matemática, calculadora e edição de texto no console.

O programador acredita que o Pippin seja um dos mais raros de sua coleção e diz que não tem notícia de outro em solo brasileiro. Apesar de não ter nenhum jogo, aponta a falta de títulos de qualidade e o preço como os principais vilões da curta história do Pippin. “Tinha tudo para emplacar, mas esbarrou na falta de bons games e de um preço compatível”, analisa.

No Mercado Livre, nem sombra do console, que não foi exportado oficialmente para o Brasil. As próprias lojas oficiais da Apple nem sequer dão conta do produto. A única forma de achar um Pippin é nos sites norte-americanos de compra e venda. No maior deles, o Ebay, o mesmo onde Lester adquiriu o seu, há algumas unidades e acessórios cujos preços variam entre US$ 50 a US$ 359 – este mais caro ainda embalado na caixa.

Talvez o maior motivo para o fracasso do Pippin tenha sido a crueldade do mercado. Lançado com o preço de US$ 399, a plataforma disputaria espaço com o Nintendo 64, o Playstation e o Saturn, todos mais poderosos, baratos e consolidados que o hardware de CD-ROM da Apple, além de carregaram marcas tradicionais. Sem títulos com personagens famosos e sob a patente de uma compania sem qualquer tradição nos games, o Pippin, cujo nome vem de uma variedade de maçã, realmente nasceu já com os dias contados.

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